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Escrito por:
Dra. Sara Batista
Tempo de leitura: 13 minutos
Mulher apontando para o seio - câncer de mama

Sintomas de câncer de mama

“Foi no banho. Ela percebeu um nódulo diferente, que não doía. Pensou que passaria. Mas não passou.”

Cenas como essa ainda são comuns quando falamos em sintomas de câncer de mama. A doença, silenciosa em muitos casos, segue sendo o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, responsável por cerca de 28% dos diagnósticos de câncer feminino no país, segundo o INCA.

Diante disso, reconhecer os sinais, entender como a doença se manifesta e buscar avaliação médica o quanto antes pode fazer toda a diferença.

Sendo assim, preparamos este conteúdo para ajudar você a identificar os sintomas do câncer de mama e conhecer os caminhos de tratamento disponíveis, sempre com um olhar sensível para quem enfrenta essa jornada.

O que é câncer de mama?

O câncer de mama é provocado pela multiplicação anormal das células que compõem o tecido mamário.

Essas células passam a crescer de forma desordenada, formando tumores que podem invadir outros tecidos e órgãos.

Todo câncer surge de uma alteração genética que ocasiona dano no DNA da célula normal, na maioria das vezes, adquirida ao longo da vida devido à exposição a fatores de risco. 

Quando a alteração genética está presente nas células germinativas (óvulo ou espermatozoide), ela pode ser hereditária, e possivelmente transmitida para os descendentes ou compartilhada entre familiares de primeiro grau.

Embora possa acometer homens, isso acontece em menos de 1% dos casos. Já entre as mulheres, a incidência aumenta com a idade, especialmente a partir dos 50 anos, segundo o Ministério da Saúde.

No entanto, um alerta importante vem chamando a atenção de especialistas: o número de diagnósticos de câncer de mama em pessoas com menos de 50 anos tem aumentado, principalmente na faixa dos 30 aos 39 anos.

Diversos fatores de risco estão associados ao desenvolvimento do câncer de mama.

Além da idade, é importante destacar:

  • Histórico familiar da doença (em especial em parentes de primeiro grau);
  • Menarca precoce (antes dos 12 anos) e menopausa tardia (após os 55 anos);
  • Primeira gestação após os 30 anos ou ausência de gestações (nuliparidade);
  • Uso prolongado de contraceptivos hormonais;
  • Obesidade, sedentarismo e consumo excessivo de álcool.

Por isso, conhecer o próprio corpo, estar atenta a alterações e manter acompanhamento médico regular são atitudes que salvam vidas. 

Segundo um estudo compartilhado pela Pfizer, o diagnóstico precoce do câncer de mama ainda é um dos grandes desafios no Brasil, especialmente em função das barreiras de acesso à informação, ao atendimento médico e à realização de exames no tempo adequado.

Esses obstáculos têm impacto direto no prognóstico. Quando a doença é identificada em estágios iniciais, há mais possibilidades de tratamentos menos invasivos, com maior chance de cura e menor impacto físico e emocional na vida das pacientes.

Quais são os sintomas de câncer de mama?

Infográfico sintomas câncer de mama

Quais são os sintomas de câncer de mama?

Nem sempre o câncer de mama dá sinais imediatos. 

Em muitos casos, ele se desenvolve silenciosamente, o que torna o diagnóstico precoce ainda mais importante.

Ainda assim, existem manifestações que, se observadas com atenção, podem ser fundamentais para a identificação da doença.

Conhecer os sintomas do câncer de mama é o primeiro passo para cuidar de si e das pessoas ao redor.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os sintomas podem variar bastante e nem sempre indicam câncer, mas devem ser sempre investigados por um profissional de saúde.

A seguir, listamos os 7 sintomas do câncer de mama principais que merecem atenção:

01 – Nódulo na mama

O sintoma mais comum do câncer de mama é o surgimento de um nódulo (caroço) na mama ou na região da axila. Ele apresenta geralmente as seguintes características:

  • Firme
  • Indolor
  • Com bordas irregulares
  • Fixo (não se move ao toque)

Entretanto, há casos em que o nódulo pode ser doloroso ou apresentar contornos mais regulares. Por isso, é essencial que qualquer massa identificada seja avaliada com rapidez.

02 – Alteração no tamanho ou formato

Mudanças repentinas nas mamas também são um sinal de alerta. Fique atenta a:

  • Aumento do volume de uma das mamas
  • Assimetria mais evidente ao vestir roupas ou levantar os braços
  • Sensação de peso ou endurecimento em apenas um dos lados

Essas alterações nem sempre causam dor, mas podem indicar um processo anormal no tecido mamário.

03 – Retração da pele

A retração da pele da mama ou do mamilo é outro sinal que pode passar despercebido. Isso acontece quando há tração da pele para dentro, como se uma parte estivesse sendo “puxada”. Pode aparecer como:

  • Afundamento de um ponto da mama
  • Distorção na forma ao movimentar os braços
  • Mamilo retraído ou com aparência alterada

Essa retração pode ser um indicativo de que o tumor está alterando a estrutura interna da mama.

04 – Secreção no mamilo

Secreções não espontâneas podem ocorrer por diferentes motivos, mas aquelas que merecem atenção são:

  • Secreção transparente, rosada ou avermelhada
  • Presença de sangue
  • Saída espontânea (sem compressão)
  • Unilateral (apenas de um mamilo)

Esses sinais devem ser avaliados com prioridade, pois podem indicar alterações malignas.

05 – Dor persistente

É importante destacar que o câncer de mama nem sempre provoca dor. Mas, quando ela surge de forma contínua e localizada, é necessário investigar. Observe:

  • Dor em um ponto específico da mama
  • Desconforto que persiste por semanas
  • Sensibilidade incomum sem causa aparente

A dor isolada pode estar relacionada a diversas causas benignas, mas combinada a outros sintomas deve ser valorizada.

06 – Vermelhidão ou inchaço

A presença de vermelhidão, calor local ou inchaço pode indicar um processo inflamatório na mama. Isso é comum no tipo chamado carcinoma inflamatório, uma forma agressiva e menos comum da doença.

Fique alerta se notar:

  • Inchaço em toda a mama, mesmo sem nódulo visível
  • Vermelhidão que não melhora
  • Dor associada ao calor local

Essas manifestações também podem ser confundidas com mastite ou alergias, por isso, a avaliação médica é indispensável.

07 – Mudança na textura da pele

A alteração da textura da pele da mama é um dos sinais mais característicos e visíveis em alguns casos. Um exemplo clássico é o aspecto de “casca de laranja”, que pode surgir com:

  • Poros mais evidentes
  • Rigidez localizada na pele
  • Áreas com leve retração ou irregularidade

Todas essas manifestações podem ser percebidas por meio do autoexame. No entanto, é importante lembrar que o autoexame não substitui o acompanhamento clínico nem os exames de imagem, como a mamografia e o ultrassom mamário.

Diante disso, o Ministério da Saúde recomenda que mulheres estejam atentas ao próprio corpo e procurem atendimento médico assim que notarem qualquer alteração.

Esse cuidado pode salvar vidas, especialmente quando o câncer de mama é detectado ainda em fase inicial.

Por esse motivo, o diagnóstico em fases iniciais juntamente com tratamento adequado, muitas vezes multimodal, aumenta as chances de cura.

Câncer de mama masculino

Médica examina mama masculina

Câncer de mama masculino

Embora seja raro, o câncer de mama masculino é uma realidade que merece atenção.

Ele representa cerca de 1% de todos os casos da doença e, por isso, muitas vezes é subestimado, levando a diagnósticos tardios e maior risco de complicações.

Os sintomas mais comuns nos homens incluem:

  • Nódulo firme e indolor próximo ao mamilo
  • Inversão do mamilo
  • Secreção anormal
  • Alterações na pele da mama

Segundo estudo publicado na Revista Contribuciones a las Ciencias Sociales, a maioria das mortes por câncer de mama em homens ocorre a partir dos 60 anos, especialmente entre aqueles com baixa escolaridade e pouco acesso à informação sobre a doença.

O levantamento reforça um ponto crucial: a falta de diagnóstico precoce e o desconhecimento dos sintomas por parte da população masculina ainda são barreiras para o cuidado.

Apesar da baixa incidência, homens com histórico familiar da doença ou com mutações genéticas específicas, como nos genes BRCA1 e BRCA2, devem manter acompanhamento regular com profissionais de saúde.

Como prevenir o câncer de mama?

Aproximadamente 10% dos cânceres de mama são ocasionados por alterações genéticas hereditárias. 

Desta forma, embora não seja possível evitar todos os casos, muitos fatores de risco podem ser controlados com mudanças no estilo de vida e com atenção à saúde.

Conforme o Ministério da Saúde, medidas como alimentação equilibrada, prática de atividade física e redução do consumo de álcool podem diminuir significativamente o risco de desenvolver a doença.

Confira algumas recomendações práticas:

  • Mantenha o peso corporal saudável
    A obesidade, especialmente após a menopausa, aumenta o risco devido à produção de estrogênio no tecido adiposo.

Sendo assim, preferir dieta pobre em gorduras saturadas e rica em fibras, evitar consumo de alimentos processados e embutidos, são algumas atitudes indicadas.

  • Pratique atividades físicas regularmente
    Pelo menos 150 minutos semanais de exercícios moderados são indicados.
  • Evite o consumo excessivo de álcool
    Mesmo em quantidades moderadas, o álcool pode aumentar o risco de câncer de mama, pois o álcool é fator de risco independente para várias neoplasias.
  • Amamente, se possível
    A amamentação prolongada é considerada um fator protetor.
  • Evite o uso indiscriminado de hormônios
    A terapia de reposição hormonal deve ser feita com acompanhamento médico e por tempo limitado.
  • Evitar tabagismo

Além disso, como citado anteriormente, o rastreamento e a detecção precoce continuam sendo fundamentais. Consultas periódicas, mamografias na faixa etária adequada e atenção aos sinais do corpo são cuidados que transformam vidas.  

Tratamentos para câncer de mama

O tratamento do câncer de mama deve ser sempre individualizado. Ele leva em conta as características do tumor, o estágio da doença, o perfil da paciente e, também sua perspectiva de vida.

E quando esse cuidado é conduzido de forma coordenada, a jornada se torna menos solitária e mais clara.

Conforme o Instituto Nacional de Câncer (INCA), as estratégias de tratamento podem envolver terapias locais, sistêmicas ou a combinação de ambas. 

Cirurgia

A cirurgia é uma das primeiras opções quando o tumor é operável. Ela pode variar conforme o estágio da doença:

  • Cirurgia conservadora (quadrantectomia): preserva parte da mama, removendo o tumor e uma margem de segurança
  • Mastectomia: indicada quando há risco de recidiva ou tumores grandes, envolve a retirada completa da mama
  • Reconstrução mamária: pode ser imediata ou posterior, conforme avaliação médica e escolha da paciente.

 A cirurgia de reconstrução mamária inclusive é direito da paciente com câncer de mama.

Cada abordagem é avaliada com base no equilíbrio entre controle da doença e qualidade de vida.

Radioterapia

A radioterapia utiliza radiações para destruir células tumorais remanescentes após a cirurgia. Ela é aplicada:

  • Em sessões diárias, por tempo determinado
  • Com foco na mama operada e, em alguns casos, nos gânglios axilares
  • De forma planejada, com tecnologia que preserva os tecidos ao redor

Ela é indicada principalmente em cirurgias conservadoras, reduzindo o risco de retorno local do câncer.

Quimioterapia

A quimioterapia atua de forma sistêmica, ou seja, no corpo todo. Pode ser utilizada:

  • Antes da cirurgia (neoadjuvante): para reduzir o tamanho do tumor
  • Após a cirurgia (adjuvante): para combater células tumorais microscópicas
  • Em casos avançados ou metastáticos: para controle da progressão da doença

Os protocolos variam conforme o tipo do câncer e a resposta de cada organismo. O acompanhamento contínuo ajuda a ajustar as doses e lidar com os efeitos colaterais.

Hormonioterapia

Essa abordagem é utilizada quando o tumor apresenta receptores hormonais (como estrogênio e progesterona). O tratamento age bloqueando a ação desses hormônios, freando o crescimento das células doentes.

  • Pode ser indicado por períodos prolongados (5 a 10 anos)
  • Pode ser  prescrito após a cirurgia, no contexto adjuvante, ou no cenário de doença metastática.
  • É bem tolerado e pode ser associado a outras terapias

Terapias-alvo e imunoterapia

As terapias-alvo são tratamentos desenvolvidos para agir em alterações específicas das células do tumor, dificultando seu crescimento e espalhamento. 

Os alvos podem estar na superfície da célula tumoral (por exemplo: terapias anti-HER2) ou fazer parte de vias de sinalização para replicação do DNA tumoral (por exemplo: inibidores de PARP, inibidores de ciclinas) 

Já a imunoterapia funciona de outra forma: ela ativa o sistema imunológico da própria pessoa para que ele reconheça e ataque as células tumorais.

Essas abordagens vêm sendo estudadas e aplicadas com sucesso em perfis tumorais específicos, conforme detalhado pelo Oncoguia.

É importante frisar que, mais do que definir protocolos, tratar o câncer de mama exige um plano contínuo, acessível e sensível às particularidades de cada paciente.

Por isso, é fundamental compreender que cada plano de tratamento é individual, e a Croma Oncologia acredita que esse cuidado deve ser contínuo, personalizado e conduzido com sensibilidade em cada etapa da jornada.

A Croma Oncologia

Croma Oncologia Tatuapé

A Croma Oncologia

Acreditamos que cuidar de alguém que está passando por um tratamento oncológico exige mais do que conhecimento técnico. É preciso sensibilidade, presença e tempo para escutar com atenção.

A Croma Oncologia surge com a proposta de transformar essa jornada. Aqui, o cuidado é conduzido com escuta ativa, clareza e conexão real com quem vive o tratamento.

Por meio de uma linha de cuidado estruturada, reunimos profissionais que atuam de forma integrada. Essa abordagem conjunta permite que o paciente seja acolhido desde os primeiros sinais de suspeita até o acompanhamento após a finalização do tratamento.

Assista ao vídeo abaixo e conheça nosso jeito de cuidar!

Conclusão

Conforme observado, a jornada do câncer de mama envolve desafios que vão além do diagnóstico. 

São dúvidas, escolhas e sentimentos que exigem escuta, tempo e acolhimento. 

Mas quando essa trajetória é conduzida com informação, orientação sensível e um plano bem estruturado, ela pode se tornar mais leve e transformadora.

Identificar os sinais precoces, manter os exames em dia, procurar apoio ao primeiro sinal de dúvida. Essas são atitudes que fazem diferença real na detecção precoce e na resposta ao tratamento.

Nossos especialistas em câncer de mama atuam de forma integrada, com uma linha de cuidado que conecta diagnóstico, cirurgia, terapias e suporte emocional em todas as etapas.

Mais do que conduzir protocolos, estamos aqui para caminhar com o paciente. 

Porque cuidar, de verdade, é estar presente em cada decisão, em cada avanço e em cada recomeço.

Fontes de dados sobre o câncer:

Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Sinais e sintomas do câncer de mama
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/mama/versao-para-profissionais-de-saude/sinais-e-sintomas#:~:text=Sinais%20e%20Sintomas%20*%20N%C3%B3dulo%2C%20fixo%20e,laranja.%20*%20Altera%C3%A7%C3%B5es%20no%20mamilo%20como%20retra%C3%A7%C3%B5es.

Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Recomendações para o cuidado com câncer de mama – 2017
https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/recomendacoes-cancer-de-mama-inca-2017_0.pdf

Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Detecção precoce do câncer de mama
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/acoes/deteccao-precoce#:~:text=Essa%20estrat%C3%A9gia%20de%20conscientiza%C3%A7%C3%A3o%20destaca,avan%C3%A7ada%20do%20c%C3%A2ncer%20de%20mama.

Ministério da Saúde
Página oficial sobre câncer de mama
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-mama

Revista Brasileira de Análises Clínicas

Predisposição hereditária ao câncer de mama e sua relação com os genes BRCA1 e BRCA2: revisão da literatura

https://www.rbac.org.br/artigos/predisposicao-hereditaria-ao-cancer-de-mama-e-sua-relacao-com-os-genes-brca1-e-brca2-revisao-da-literatura/

Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn)
Fatores de risco e práticas de detecção do câncer de mama em mulheres em tratamento quimioterápico
https://www.scielo.br/j/reben/a/TMQQbvwZ75LPkQy6KyRLLHx/?lang=pt&format=html

REBEn – Nascimento TG, Silva SR, Machado ARM
Autoexame de mama: significado para pacientes em tratamento quimioterápico
https://www.scielo.br/j/reben/a/TMQQbvwZ75LPkQy6KyRLLHx/?lang=pt&format=html

Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO)
Câncer de mama masculino: análise de casos registrados no interior do Maranhão
https://www.scielo.br/j/rbgo/a/yfx6D5t8zDwMtbtZQfyF9pP/

Responsável Técnico: Leandro Veloso Maia Lemos - CRM 172492 / RQE 73527

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