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Escrito por:
Dr. Antonio Soares
Tempo de leitura: 9 minutos
Médico demonstrando sistema retal humano

Quais os tratamentos para o câncer colorretal no Brasil?

Segundo dados do Observatório de Saúde Pública, o câncer colorretal é o terceiro tipo mais comum no Brasil, tanto em homens quanto em mulheres.

Em 2023, foram estimados mais de 45 mil novos casos — um número que chama atenção e reforça a necessidade de informação e prevenção.

Diante disso, conhecer os fatores de risco, entender os sintomas, como diagnosticar e saber quais são os tratamentos para câncer colorretal são passos essenciais para que cada pessoa possa tomar decisões com mais segurança.

Neste artigo, reunimos informações claras e confiáveis para que você:

  • Entenda o que é o câncer colorretal
  • Saiba como preveni-lo de forma prática
  • Conheça os principais tratamentos utilizados no Brasil
  • E descubra como profissionais especializados podem fazer diferença nessa jornada

O que é câncer colorretal?

O câncer colorretal se desenvolve no intestino grosso, mais especificamente no cólon ou no reto. 

Essas duas regiões formam a parte final do sistema digestivo e são responsáveis por absorver água e armazenar resíduos antes da eliminação.

Esse tipo de câncer geralmente se origina a partir de pequenos crescimentos no revestimento do intestino, chamados pólipos, que podem ser causados por fatores ambientais e/ou genéticos.

É importante ressaltar que nem todo pólipo é maligno, porém alguns podem se transformar ao longo do tempo, especialmente se não forem identificados precocemente, por isso a atenção aos exames de rastreio inicial e rotina é fundamental.

Conforme o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para o triênio 2023–2025 é de 45.630 novos casos de câncer de cólon e reto por ano no Brasil. 

Desse total, 21.970 devem ocorrer em homens e 23.660 em mulheres — o que representa um risco médio de mais de 21 casos para cada 100 mil brasileiros.

Fatores de risco mais comuns:

  • Idade acima dos 50 anos
  • Histórico familiar de câncer colorretal
  • Dieta rica em carnes processadas e pobre em fibras
  • Obesidade e sedentarismo
  • Consumo excessivo de álcool e cigarro
  • Presença de doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa ou Doença de Crohn

Estar atento a esses fatores e manter acompanhamento médico regular pode contribuir para uma detecção mais precoce, o que amplia as possibilidades de cuidado e bem-estar.

Como prevenir o câncer colorretal?

Mãos cortando vegetais

Como prevenir o câncer colorretal?

Quando se fala em câncer colorretal, a prevenção tem papel essencial.

Mesmo que alguns fatores de risco não sejam modificáveis, como idade ou predisposição genética, há atitudes que ajudam a reduzir as chances de desenvolver esse tipo de tumor.

Mais do que um conjunto de medidas isoladas, prevenir o câncer colorretal é sobre cuidar da saúde de forma constante.

Isso envolve hábitos, exames e conversas abertas com os profissionais de saúde.

Entre as principais estratégias de prevenção estão:

  • Manter uma alimentação rica em fibras, frutas, vegetais e grãos integrais
  • Reduzir o consumo de carnes processadas e gorduras saturadas
  • Praticar atividade física regularmente
  • Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool
  • Controlar o peso corporal
  • Fazer exames de rastreamento conforme orientação médica

Colonoscopia de rotina

A colonoscopia é um exame que permite visualizar o interior do cólon e do reto, identificando lesões , como pólipos, antes que elas se transformem em tumores.

Por isso, a colonoscopia de rotina é considerada uma das ferramentas mais eficazes para a detecção precoce e prevenção do câncer colorretal.

A primeira colonoscopia deve ser realizada em todas as pessoas a partir dos 45 anos. Após o primeiro exame a periodicidade do mesmo será indicada pelo seu médico responsável a depender dos achados.

Quem tem histórico familiar da doença pode precisar iniciar o rastreamento mais cedo, e a indicação de quanto tempo deve ser antecipada deverá ser indicada também pelo seu médico.

O preparo pode causar desconforto leve, em decorrência da restrição alimentar e necessidade de laxativos para deixar todo o cólon limpo. Porém, a realização do exame costuma ser rápida e segura, com baixo índice de complicação. 

O impacto positivo para a saúde é significativo, como, por exemplo, ressecção de lesões pré-malignas, ou seja, se não removidas poderia se transformar em um câncer.

Tratamentos para câncer colorretal

Receber o diagnóstico de câncer colorretal pode trazer muitas dúvidas e inseguranças. 

Cada pessoa lida de uma forma diferente, mas uma coisa é certa: ninguém deveria enfrentar essa jornada sozinho.

Portanto, falar de tratamento não é só falar de técnica ou procedimento. 

É falar de cuidado integral e contínuo, decisões compartilhadas e caminhos possíveis. É olhar para o que é melhor para aquela pessoa, naquele momento.

Sendo assim, o plano terapêutico é sempre construído a partir de uma escuta atenta, considerando o tipo de tumor, o estágio da doença, a saúde geral da pessoa e, principalmente, suas preferências e necessidades.

Conheça a seguir os principais recursos terapêuticos utilizados no cuidado ao câncer colorretal:

Cirurgia

Em muitos casos, o primeiro passo do tratamento é a cirurgia, quando o tumor está localizado. Ela tem o objetivo de retirar o segmento do intestino em que o tumor está localizado, preservando o máximo possível das funções naturais do corpo.

Existem diferentes abordagens, como:

  • Retirada de parte do intestino (ressecção do cólon ou do reto)
  • Remoção de linfonodos próximos para avaliação que faz parte da cirurgia oncológica.
  • Em alguns casos, há necessidade de uma colostomia, que pode ser temporária ou definitiva. 
  • Em casos selecionados de lesão metastática pequena e única, ou de baixo volume, pode ser discutida a remoção cirúrgica . Tal situação é mais comum para metástase hepática ou pulmonar.

Tudo é avaliado com muito critério, respeitando as indicações médicas e o que faz sentido para a saúde e o bem-estar do paciente naquele momento.

Quimioterapia

A quimioterapia pode ser indicada depois da cirurgia de forma preventiva, antes da cirurgia com intuito de redução do tumor para facilitar a cirurgia (muito utilizado nos tumores do reto) ou ainda em casos de doença mais avançada em que não envolve procedimento cirúrgico 

Ela atua no corpo todo, combatendo células que possam ter se espalhado para corrente sanguínea e/ou implantado em outros órgãos (linfonodos, fígado, pulmão, peritônio, etc.

Apesar dos efeitos colaterais que podem surgir, o cuidado integral como medidas comportamentais, pré e pós-medicações para evitar sintomas induzidos pelo tratamento e ajustes de doses tornam o processo mais cuidadoso e adaptado à realidade de cada paciente.

Radioterapia

Em alguns casos, especialmente quando o tumor está localizado no reto, a radioterapia é indicada para reduzir a lesão antes da cirurgia ou tratar a região depois do procedimento.

Ela funciona com aplicação de radiações localizadas, com tecnologia que busca preservar os tecidos saudáveis ao redor.

O planejamento das sessões é feito com muito critério e acompanhamento próximo da equipe de radioterapia.

Imunoterapia

A imunoterapia é uma abordagem mais recente em alguns subtipos de câncer colorretal.

Ela visa estimular o próprio sistema imunológico da pessoa para que ele reconheça e combata as células tumorais.

Embora nem todos os pacientes sejam elegíveis para esse tipo de tratamento, há avanços importantes, especialmente em casos com mutações genéticas específicas.

Essa modalidade representa a personalização do cuidado em sua forma mais avançada: tratar o tumor com base nas características biológicas de cada pessoa.

Outros medicamentos 

No caso de pacientes com doença mais avançada (presença de metástases) uma série de mutações devem ser pesquisadas para avaliar a associação de outros medicamentos (anticorpos monoclonais, por exemplo) a quimioterapia ou seu uso de forma isolada. São exemplos de genes ou proteínas que devem ser investigados KRAS, NRAS, BRAF, HER-2.

Tratamentos locais

Além da conhecida técnica de radioterapia mencionada acima, uma série de terapias locais estão em ascensão, sobretudo para metástases hepáticas, como ablação, radioablação ou quimioembolização. 

Mudança no estilo de vida

O cuidado não termina com a cirurgia, radioterapia ou os medicamentos. Ele continua no dia a dia.

Muitas vezes, a equipe multidisciplinar — com nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos — acompanha o paciente em orientações como:

  • Adotar uma alimentação mais leve, nutritiva e rica em fibras
  • Manter o corpo ativo, mesmo que com pequenas caminhadas diárias
  • Cuidar da saúde mental, acolhendo medos, inseguranças e expectativas

Essas mudanças, quando feitas com apoio e orientação, ajudam muito na recuperação e na qualidade de vida.

Mais do que escolher terapias, o essencial é construir um plano que faça sentido para a vida da pessoa.

Especialistas em câncer colorretal da Croma Oncologia

O tratamento do câncer colorretal exige um acompanhamento próximo, humano e estruturado. Por isso, na Croma Oncologia, reunimos uma equipe especializada para conduzir cada etapa com escuta ativa, clareza e compromisso com a qualidade de vida.

Contamos com especialistas em câncer colorretal altamente qualificados e um modelo de cuidado oncológico que integra diagnóstico, cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo e imunoterapia, tudo conectado por uma linha de cuidado clara e acolhedora.

Além disso, oferecemos apoio multiprofissional contínuo, com:

  • Psicólogos
  • Nutricionistas
  • Fisioterapeutas
  • Enfermeiros
  • Farmacêuticos clínicos
  • Terapeutas ocupacionais

Essa integração permite uma jornada mais fluida, com orientações completas que vão desde o primeiro sinal até o acompanhamento pós-tratamento.

Assista ao vídeo abaixo e conheça o nosso jeito de cuidar.

Conclusão

O câncer colorretal exige atenção, conhecimento e escuta. Entender os sintomas, reconhecer os fatores de risco e saber que existem formas de prevenção é o primeiro passo para cuidar da saúde com mais consciência.

Mas o cuidado não para por aí. Quando o diagnóstico acontece, é fundamental contar com uma rede preparada para oferecer acolhimento, estrutura e um plano de tratamento individualizado.

Se você ou alguém próximo está enfrentando essa jornada, saiba que não precisa fazer isso sozinho!

É com essa proposta que atuamos na Croma Oncologia: construindo um novo modelo de cuidado oncológico. 

Uma abordagem que prioriza a pessoa, coordena todas as etapas com sensibilidade e integra especialidades em um só caminho.

Referências

Observatório de Saúde Pública

Câncer colorretal é o terceiro tipo de tumor mais comum no Brasil
https://biblioteca.observatoriosaudepublica.com.br/blog/cancer-colorretal-terceiro-tipo-de-tumor-mais-comum-no-brasil/#:~:text=O%20c%C3%A2ncer%20colorretal%20%C3%A9%20o,contra%2021.970%20para%20os%20homens.

INCA – Instituto Nacional de Câncer

Câncer de cólon e reto: síntese de resultados e comentários
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/estimativa/sintese-de-resultados-e-comentarios/cancer-de-colon-e-reto

Responsável Técnico: Leandro Veloso Maia Lemos - CRM 172492 / RQE 73527

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