Quando se fala em câncer de pulmão, é comum associar a doença ao tabagismo. De fato, fumar continua sendo o principal fator de risco, responsável por cerca de 85% dos casos diagnosticados. No entanto, um número crescente de pessoas que nunca fumaram também vem recebendo esse diagnóstico.
Estima-se que cerca de 15% dos casos de câncer de pulmão ocorram em pessoas que nunca fumaram, o que reforça a importância de conhecer outros fatores de risco.
Por que o câncer de pulmão também pode acontecer em quem nunca fumou?
Não fumar reduz significativamente o risco de desenvolver câncer de pulmão, mas não elimina completamente essa possibilidade.
Nos últimos anos, especialistas têm observado um aumento dos casos entre pessoas sem histórico de tabagismo, especialmente entre mulheres. Estudos indicam que de 15% a 20% dos homens diagnosticados com câncer de pulmão nunca fumaram, enquanto entre as mulheres esse percentual pode chegar a 50%.
Nesses pacientes, o tipo mais comum é o adenocarcinoma, responsável por cerca de 60% dos casos. Nesse contexto, esse subtipo costuma se desenvolver nas regiões periféricas do pulmão e pode evoluir durante anos sem causar sintomas evidentes, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Uma pesquisa publicada no JAMA Oncology em 2022 acompanhou mais de 4 mil pessoas por cerca de 13 anos, divididas em dois grupos: não fumantes e fumantes com baixa carga tabágica. Ao final do estudo, 0,5% dos não fumantes desenvolveram câncer de pulmão, enquanto, entre aqueles que fumavam menos de um maço de cigarros por dia, esse percentual foi de 5%. Embora o risco permaneça significativamente maior entre os fumantes, os resultados mostram que o câncer de pulmão também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram.
Por que os casos estão aumentando?
Diversos fatores ambientais, ocupacionais e genéticos podem contribuir para o desenvolvimento do câncer de pulmão em pessoas que nunca fumaram.
Além disso, os avanços nos exames de imagem e nos métodos diagnósticos também permitem identificar tumores que anteriormente poderiam passar despercebidos.
Exposição ao fumo passivo
Mesmo quem nunca fumou pode sofrer os efeitos do tabaco. Respirar a fumaça de cigarros, charutos ou cachimbos de outras pessoas pode aumentar o risco de câncer de pulmão em até 30%.
Por isso, evitar ambientes com exposição frequente à fumaça continua sendo uma medida importante de prevenção.
Poluição do ar
A poluição atmosférica é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das principais causas ambientais de câncer.
A exposição prolongada ao material particulado fino (PM2.5), presente principalmente em grandes centros urbanos, está relacionada ao aumento do risco de câncer de pulmão. Além disso, a exposição contínua à poluição pode contribuir para doenças respiratórias e cardiovasculares.
Exposição ao gás radônio
Outro fator de risco pouco conhecido é o gás radônio, um gás radioativo natural, invisível e sem odor, que pode se acumular em ambientes fechados.
Considerado a segunda principal causa de câncer de pulmão em alguns países, o radônio representa um risco principalmente quando há exposição prolongada.
Alterações moleculares no tumor
Algumas alterações genéticas, como mutações nos genes EGFR, ALK e ROS1, são mais frequentes em pacientes que nunca fumaram.
Essas alterações não significam que a doença seja hereditária, mas ajudam a explicar por que algumas pessoas desenvolvem câncer de pulmão mesmo sem exposição ao tabaco.
Exposição ocupacional
A exposição frequente a determinados agentes químicos também pode aumentar o risco da doença.
Além disso, entre eles estão metais pesados, sílica, poeiras industriais, amianto e outros compostos presentes em atividades como mineração, fundições e processos industriais.
Quais são os sintomas do câncer de pulmão?
Um dos principais desafios do câncer de pulmão é que ele costuma evoluir de forma silenciosa.
Segundo estimativa do INCA, mais de 80% dos casos no Brasil são diagnosticados em estágios mais avançados. Isso ocorre, em parte, porque os sintomas podem surgir apenas quando a doença já está mais desenvolvida.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Tosse persistente;
- Falta de ar;
- Dor no peito;
- Rouquidão;
- Sangramento pelas vias respiratórias;
- Perda de peso sem causa aparente;
- Cansaço persistente.
Esses sintomas não significam necessariamente a presença de câncer de pulmão. No entanto, quando persistem por semanas ou se tornam recorrentes, merecem investigação médica.
Como reduzir o risco de câncer de pulmão?
Embora nem todos os casos possam ser prevenidos, algumas atitudes ajudam a reduzir o risco da doença ao longo da vida.
Entre elas estão:
- Não fumar e evitar a exposição ao fumo passivo;
- Não utilizar cigarros eletrônicos ou outros produtos derivados do tabaco;
- Reduzir, sempre que possível, a exposição à poluição e a agentes químicos;
- Utilizar equipamentos de proteção em ambientes ocupacionais de risco;
- Manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física regularmente;
- Buscar acompanhamento médico diante de sintomas persistentes.
Esses hábitos contribuem para a prevenção do câncer de pulmão, para a saúde respiratória e o bem-estar de forma geral.
Informação também faz parte do cuidado
Embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco, o câncer de pulmão também pode afetar pessoas que nunca fumaram. Por isso, conhecer outros fatores de risco e reconhecer sinais de alerta é fundamental para favorecer o diagnóstico precoce.
Na Croma Oncologia, acreditamos que informação de qualidade também faz parte do cuidado. Por isso, trabalhamos para promover conhecimento, prevenção e uma jornada oncológica coordenada, oferecendo suporte em cada etapa do tratamento.